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Por Bruna Taiski - Gisele Mendes Hojemais, Três Lagoas em 10/11/2017

Tema da redação do ENEM abre espaço para discussão sobre alunos surdos em Três Lagoas

A Rede Municipal de Educação voltou a atenção para os alunos com limitações e, atualmente, faz um trabalho de capacitação e formação de gestores e educadores para melhor receber esses alunos

Gisele Mendes - Maria Célia, secretária de educação

O tema “Desafios para Formação Educacional de Surdos no Brasil” da redação do ENEM deste ano abriu uma discussão entre profissionais da educação e a inserção de alunos surdos nas escolas. Em Três Lagoas, no ano de 2002 ­- com o surgimento da Lei da linguagem em libras - a Rede Municipal de Educação voltou a atenção para os alunos com limitações e, atualmente, faz um trabalho de capacitação e formação de gestores e educadores para melhor receber esses alunos.

Maria Célia, secretária de educação (Foto: Gisele Mendes)


Segundo a Secretária de Educação - Maria Célia Medeiros - o tema da redação foi um despertar e será uma oportunidade para reconhecer e corrigir as falhas da educação relacionadas à aprendizagem dos surdos.

“O tema da redação do ENEM, para mim, foi mágico, porque já era hora desse despertar; acredito que as redações vão dar parâmetros para os pensadores e, até mesmo, para o MEC procurar estratégias, formas de como a escola pode receber esses alunos; embora busquemos isso o tempo todo, ainda não é suficiente” - afirma.

Além de progredir no sistema de educação, o tema proposto também traz uma reflexão para todos os estudantes. A secretária explica que alguns alunos sentiram-se confusos com a redação, pois o tema não é a realidade vivida por eles e, por um instante, puderam sentir o momento de exclusão pelo qual o surdo passa nas salas de aula.

 “Esses alunos, de certa forma, são exclusos das escolas - embora estejamos a passos lentos para melhorar isso. Acredito que, a partir de agora, nós daremos passos mais largos, porque isso chamou a atenção até mesmo do aluno que ficou fazendo a redação como um peixe fora d'água - o surdo se sentiu assim por muito tempo na escola” - afirma.

Apenas quatro alunos surdos estão cadastrados na Rede Municipal de Educação de Três Lagoas; até 2016 todos ficavam agrupados em uma única escola. A perspectiva para 2018 será diferente; as vagas oferecidas serão próximas à unidade, facilitando a locomoção.

Conforme Maria Célia, a Rede Municipal não está totalmente pronta e que tudo vem a passos lentos; no entanto, o importante é começar a dar esses passos para um resultado positivo.

“Enquanto secretaria de Educação nós evoluímos bastante. Temos muito educadores que vêm buscando a fundo. Uma professora nossa foi para o Rio de Janeiro receber capacitação; então, os próprios educadores estão com um olhar diferente e quando o educador e gestor da escola têm esse olhar, os próprios alunos abraçam a causa também” - diz.

As expectativas na educação são as mais positivas; ela diz que, depois das provas feitas no último domingo o país estará mais próximo dessa realidade proposta pelo tema da redação.

“Acredito que depois desse domingo a realidade será outra; a visibilidade será a nível nacional - acredito nisso por conta dessas redações que vão dar muitos indicativos”.

 

NÚCLEO DE EDUCAÇÃO ESPECIAL

A Secretaria de Educação de Três Lagoas oferece um núcleo especializado onde os professores e pais de especiais recebem orientação.

As crianças são encaminhadas para o Núcleo de Educação Especial, onde são avaliadas e têm o laudo atualizado verificado, para que avancem na aprendizagem.

Rosângela Santos, coordenadora do Núcleo de Educação Especial (Foto: )

A Coordenadora do Núcleo - Rosangela dos Santos - afirma que as aulas para os surdos são feitas por uma intérprete que também faz um trabalho de alfabetização, ensinando português e libras simultaneamente. “Uma coisa que nós sempre discutimos é que toda criança especial aprende; não tem a justificativa de um professor dizer que a criança não aprendeu nada - todas aprendem” - diz.

Em relação ao tema proposto pelo ENEM, a coordenadora diz que a repercussão trouxe visibilidade a um assunto que precisa ser discutido.

“Nós do Núcleo de Educação Especial da Secretaria de Educação ficamos muito felizes em relação ao tema do ENEM; porém, precisou de uma repercussão do ENEM para que todos despertassem para essa situação. Fala-se muito em acessibilidade das pessoas com deficiência física, mas se esquecem de que também temos os deficientes auditivos, intelectuais, autistas e outros. Acho que foi um tema difícil para os adolescentes que estão saindo do Ensino Médio fazer uma redação desse nível; mas, foi bom trazer o assunto e repercuti-lo” – conclui.

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